O Mercado Bitcoin divulgou a edição de outubro do relatório Criptos Promissoras, com sete ativos selecionados para o mês. A lista reúne Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), Chainlink (LINK), Avalanche (AVAX), Ondo Finance (ONDO) e Injective (INJ).
A seleção combina os dois maiores ativos do mercado com projetos de infraestrutura ligados à tokenização. Tokenização é o processo de representar ativos tradicionais, como ações e títulos, em uma blockchain. Segundo o documento, quatro dos sete projetos chegam a outubro com alguma frente lançada no fim de setembro ou com atualizações que serão implementadas ao longo do mês.
O relatório é assinado por Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto da corretora, e por Pedro Fontes, analista de criptoativos da casa.
Bitcoin e a aposta na sazonalidade do Uptober
O Bitcoin abre a lista por um motivo estatístico. Outubro tem a maior mediana de retorno mensal do BTC desde 2011, próxima de 14%. O dado deu origem ao apelido Uptober no mercado. A análise ressalva que sazonalidade não garante alta, mas ganha peso quando aparece junto com melhora nos fundamentos.
E há melhora nos fundamentos. Na semana encerrada na sexta-feira (25), os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos receberam cerca de US$ 2,4 bilhões líquidos. Foi a maior entrada semanal de 2026 e a melhor desde outubro de 2025. Os fluxos acumulados no ano também voltaram ao campo positivo.
No gráfico, o BTC rompeu o canal entre aproximadamente US$ 77 mil e US$ 82 mil. O ativo voltou a fechar acima da média móvel de 50 semanas depois de cerca de dez meses. Média móvel é a linha que mostra o preço médio de um período e serve como referência de tendência. O próximo teste é a média de 100 semanas, perto de US$ 89,5 mil. A superação desse nível abriria espaço para US$ 95 mil e, em um movimento mais forte, para US$ 105 mil.
O contraponto apontado no relatório é direto. Sazonalidade é mediana histórica, não garantia. E boa parte do rompimento técnico já ocorreu em setembro.
Ethereum tem choque de oferta e atualização Glamsterdam
O Ethereum é a principal infraestrutura de contratos inteligentes do mercado, usada em finanças descentralizadas, stablecoins e tokenização. A tese para outubro é de oferta apertada.
Mais de 43,2 milhões de ETH estão travados em staking, máxima histórica. Staking é o mecanismo em que o investidor bloqueia moedas para ajudar a validar a rede. Essas unidades saem da oferta disponível para negociação imediata. Ao mesmo tempo, a quantidade de ETH mantida em corretoras caiu cerca de 73% desde 2020. O volume passou de 22,9 milhões para 6,06 milhões.
Ou seja, há pouca moeda pronta para venda. Se a demanda voltar por ETFs, tesourarias corporativas e fluxo de investidores, a dinâmica tende a favorecer o preço.
O catalisador de calendário é o Glamsterdam, próxima grande atualização da rede. O teste na Sepolia, uma rede de ensaio usada antes de mudanças irem ao ar, está programado para 6 de outubro. Tecnicamente, a ETH rompeu a média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 2.500. Manter esse nível abre caminho para US$ 3.250.
O risco é o inverso da tese. Oferta restrita só vira preço se a demanda aparecer. Perder a região de US$ 2.500 enfraquece o argumento.
Solana acelera com Alpenglow e acordo com a Allfunds
A Solana é uma blockchain focada em transações rápidas e baratas, usada em pagamentos, negociações, stablecoins e ativos tokenizados. Outubro traz dois gatilhos.
O primeiro é o Alpenglow, previsto para chegar com a versão Agave 4.3 durante o mês. A atualização pretende reduzir o tempo necessário para uma transação se tornar definitiva. O prazo cairia de aproximadamente 12,8 segundos para 150 milissegundos. Na prática, a experiência ficaria próxima de uma aplicação financeira em tempo real.
O segundo é o Project Harmonia, parceria com a Allfunds, que administra cerca de € 1,9 trilhão. O objetivo é ampliar a distribuição institucional de fundos tokenizados pela Solana. A etapa atual termina em 24 de outubro.
No gráfico, a SOL rompeu a média móvel de 200 semanas, próxima dos US$ 110. A manutenção acima desse patamar abre espaço para a faixa entre US$ 140 e US$ 150, onde passa a média de 100 semanas.
O contraponto é de prazo. A chegada do Alpenglow já escorregou do terceiro trimestre para outubro e depende da liberação do Agave 4.3.
Chainlink é a infraestrutura das ações tokenizadas
A Chainlink funciona como uma ponte entre blockchains e informações externas. Ela leva para dentro das redes dados como preços de ações e fundos. Também permite a comunicação entre diferentes blockchains. Com a expansão das ações tokenizadas favorecida por decisão recente da SEC, o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, essa infraestrutura ganha importância.
Os números de adoção sustentam a tese. A Chainlink encerrou o segundo trimestre protegendo cerca de US$ 110 bilhões em ativos. Seu sistema de comunicação entre blockchains, o CCIP, movimentou US$ 4,9 bilhões no trimestre, alta de 353% em um ano. A tecnologia aparece em iniciativas de tokenização de instituições como State Street, Galaxy, VanEck e Ondo.
Tecnicamente, o LINK se aproxima de uma região decisiva. A média móvel de 100 semanas está entre US$ 14 e US$ 15 e funciona como resistência. Um rompimento consistente pode confirmar mudança de tendência e abrir espaço para os US$ 20.
A ressalva é que essa faixa segue não superada. E a tese depende da velocidade real da adoção institucional.
Avalanche vive o primeiro mês completo do Helicon
A Avalanche é uma blockchain voltada à criação de aplicações e redes personalizadas, com presença relevante no mercado institucional. Seu ecossistema já recebe produtos tokenizados de gestoras como BlackRock, Franklin Templeton, VanEck, WisdomTree e Apollo.
Outubro será o primeiro mês completo após o Helicon, atualização ativada na terça-feira (22). A mudança melhora o processamento de transações e altera mecanismos de staking, com redução do prazo mínimo para 48 horas. Parte das alterações econômicas será implementada aos poucos ao longo dos 90 dias seguintes.
No gráfico, o AVAX rompeu a média móvel de 50 semanas, próxima de US$ 10, e voltou para testar a região como suporte com sucesso. A confirmação coloca US$ 15 como primeiro alvo, seguido dos US$ 18 caso a força compradora continue.
O efeito, porém, não é imediato. A entrada gradual das mudanças econômicas dilui o impacto no curto prazo.
Ondo Finance tem exposição direta à tokenização de ações
A Ondo Finance é um dos projetos mais ligados à tokenização. A plataforma transforma investimentos tradicionais como títulos, ações e fundos em ativos negociáveis por blockchain. Isso a coloca entre as beneficiárias mais claras do movimento da SEC para permitir, sob determinadas regras, a negociação onchain de ações americanas tokenizadas.
O projeto chega a outubro com produtos novos. Na quinta-feira (24), foram lançados os Ondo Intelligent Portfolios, carteiras completas representadas por um único token. Os três primeiros produtos usam estratégias desenvolvidas pela BlackRock especialmente para a Ondo. A novidade amplia a proposta da plataforma para além da tokenização de ações individuais.
Na análise técnica, o ONDO rompeu com força a média móvel de 50 semanas. A continuidade do movimento abre espaço para buscar a média de 100 semanas, ao redor de US$ 0,70, principal alvo técnico do mês.
O risco regulatório continua de pé. As regras para negociação onchain de ações ainda estão em definição nos Estados Unidos.
Injective combina queima de tokens e registro na SEC
A Injective é uma blockchain desenvolvida para aplicações financeiras, como exchanges, derivativos e ativos tokenizados. Por isso, tende a capturar diretamente um ambiente mais favorável à negociação de ações em blockchain.
A tese ganhou força em duas frentes. A Injective Institutional Services se tornou transfer agent registrada na SEC. O papel permite atuar oficialmente na manutenção dos registros de propriedade e na transferência de valores mobiliários. Em setembro, foi lançado o Stockdrop, mecanismo no qual usuários queimam permanentemente tokens INJ para receber recompensas ligadas a ações tokenizadas. Queima é a destruição definitiva de moedas, o que reduz a oferta em circulação. Se o uso crescer, o modelo une expansão do ecossistema e redução de oferta.
Há ainda interesse do mercado tradicional. A 21Shares e a Canary têm pedidos para produtos negociados em bolsa ligados ao INJ, ambos em processo regulatório.
No gráfico, o INJ vem em recuperação forte e se dirige à média móvel de 100 semanas, próxima dos US$ 10. Esse patamar é a próxima grande resistência e o principal alvo técnico de curto prazo.
A ressalva é conhecida. Os pedidos de ETFs da 21Shares e da Canary seguem sem data definida para decisão.
Como foi o desempenho da seleção de setembro
O relatório também presta contas da edição anterior. Entre 1º e 27 de setembro de 2026, em dólar, uma carteira com peso igual nos sete ativos indicados rendeu 24,3%.
A comparação é com o TOTALES, índice que mede o crescimento do mercado cripto sem stablecoins, que subiu 10,5% no período. Quatro dos sete ativos superaram o índice cripto. E todos os sete superaram os índices tradicionais usados na comparação.
Os destaques individuais foram Uniswap (UNI), com 85,3%, Aave (AAVE), com 25,2%, e Solana (SOL), com 18,4%. Na sequência vieram Virtuals (VIRTUAL), com 15,8%, Ethereum (ETH) e Hyperliquid (HYPE), ambos com 8,9%, e Bitcoin (BTC), com 7,5%.
Entre as referências de mercado, a NASDAQ subiu 4,0% e o IBOVESPA avançou 3,4%. O CDI rendeu 0,9% e o S&P 500 marcou 0,75%. O dólar ficou estável, e o ouro caiu 3,7%.









