Wall Street inicia uma semana decisiva depois da forte queda de sexta-feira (30). O Nasdaq recuou 2,86%, o pior desempenho desde o início de junho, enquanto o S&P 500 caiu 1,82%.
Agora, analistas alertam que as eleições de meio de mandato, os temores de gastos em IA e balanços importantes podem provocar oscilações ainda maiores.
O que desencadeou o temor de “Stock-Pocalypse”?
“Stock-pocalypse” é um termo informal para uma venda repentina e intensa de ativos no mercado. Jim Cramer usou a expressão para classificar o pregão de sexta em Wall Street.
O catalisador foi o alto consumo de caixa em IA. As ações da Intel caíram quase 29%, e a Amazon decepcionou. Antes disso, a Alphabet já havia perdido cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado.
Os resultados aumentaram as dúvidas sobre o retorno, no curto prazo, dos grandes investimentos em infraestrutura de IA, o mesmo debate da bolha que murcha. Além disso, o Financial Times informou que a Anthropic pode receber um rating de alto risco após sua abertura de capital, o que intensificou as preocupações com o aumento das dívidas no setor.
Enquanto isso, o hack recorde de US$ 6,3 bilhões na Binance reforçou o clima de aversão ao risco. Os preços do petróleo também seguiram elevados por causa da tensão no Oriente Médio, o que continua pressionando as expectativas de inflação.
The Kobeissi Letter destacou que a queda do Nasdaq coincidiu com o aumento das chances de vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato. “A próxima semana será, no mínimo, interessante”, afirmou.
Até onde as ações podem cair, segundo analistas
As previsões são divergentes. Mike Wilson, do Morgan Stanley, enxerga “eventos de ajuste” que podem levar o S&P 500 a cerca de 9% abaixo do recorde, na região de 7,1 mil pontos. Ele avalia o recuo como oportunidade de compra e mantém a projeção de 8 mil pontos para o fim do ano.
De forma semelhante, Michael Hartnett, do Bank of America, adota uma postura “de cautela tática” até meados de novembro. Ele prevê novos recuos diante dos riscos políticos e de IA.
Já o economista Peter Schiff aponta para uma possível queda expressiva antes das eleições de 3 de novembro. Entre os fatores, cita avaliações elevadas, rendimento dos títulos em alta, inflação persistente e um mercado de trabalho enfraquecido.
O cenário mais extremo veio de Dario Perkins, da TS Lombard. Segundo o modelo de crash de IA dele, o S&P 500 pode cair pelo menos 30%. Uma retração desse tamanho apagaria cerca de US$ 20 trilhões em valor de mercado. Mesmo assim, ele não considera o movimento atual como o gatilho definitivo.
O que está no radar desta semana?
As eleições desta terça (3) nos EUA podem redefinir a regulação de IA, enquanto Apple, AMD e Palantir divulgam seus resultados financeiros. O relatório de empregos sai na sexta (6). Alguns investidores enxergam um ajuste saudável, mas outros temem que a queda de sexta tenha sido apenas o começo.











