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Itaipu denuncia dirigentes e tenta reaver quase US$ 180 milhões presos no Ueno Bank

A administração paraguaia da Itaipu Binacional entrou com uma denúncia criminal contra a cúpula do Ueno Bank para tentar reaver o dinheiro que tinha depositado no banco digital, que está sob intervenção do Banco Central do Paraguai. A denúncia veio a público neste sábado (7).

Segundo comunicado da própria Itaipu, a binacional tinha US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis no Ueno Bank na terça-feira (3), dia em que a intervenção foi anunciada. Somados, os valores chegam a quase US$ 180 milhões, ou perto de R$ 950 milhões. A Itaipu diz que começou a operar com o banco em janeiro de 2025.

Quem está na mira?

A ação foi apresentada pela Diretoria Jurídica Executiva da binacional e mira diretores, administradores, membros do conselho fiscal e outros responsáveis pelo banco. Entre os nomes citados estão o fundador Federico Miguel Vázquez Villasanti, Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández e Diana Leticia Mongelos González.

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A Itaipu aponta possíveis crimes de estelionato, gestão desleal, conduta indevida em situação de crise e descumprimento da obrigação de manter os livros contábeis em ordem.

A binacional pede que o caso seja juntado à investigação criminal que já corre contra o banco, para evitar processos em duplicidade. Também se reserva o direito de atuar como assistente da acusação e de cobrar indenização.

A denúncia inclui ainda o dinheiro que a Itaipu repassou à Fundação Parque Tecnológico Itaipu Paraguai para projetos específicos. O argumento é que, mesmo com as contas em nome da fundação, os recursos saíram da binacional, e uma eventual perda atinge o patrimônio e os projetos da Itaipu.

Por que o banco quebrou?

O Banco Central do Paraguai fez a intervenção no Ueno Bank depois de concluir que o índice de solvência da instituição, que mede o capital em relação aos riscos, tinha caído para menos da metade do mínimo exigido. A medida travou as operações de mais de 3 milhões de contas.

O Ueno se apresentava como um dos quatro bancos sistêmicos do Paraguai, segundo apresentação de resultados do próprio banco.

Dinheiro público preso

A Itaipu não é a única instituição pública exposta. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, órgãos do governo e o Instituto de Previdência Social (IPS) tinham juntos 4,9 trilhões de guaranis no banco, o equivalente a cerca de R$ 4,2 bilhões. O jornal destaca que esse dinheiro continuou lá mesmo depois de o Banco Central abrir, em setembro, um procedimento para investigar operações entre empresas ligadas ao banco.

Outras estatais seguiram o mesmo caminho da Itaipu. A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) também apresentou denúncia penal contra diretores e funcionários do Ueno Bank, e a petroleira pública Petropar fez o mesmo.

Do lado brasileiro, a Itaipu informou que não há recursos sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank.

O caso virou crise política no Paraguai e levou à saída do presidente Santiago Peña, que manteve laços de negócios com o grupo dono do banco. O Congresso paraguaio destituiu Peña em processo de impeachment ligado à crise do Ueno Bank.

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